Desabafo #2: o surf me salvou

04/03/2020
    • Langai
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  • A vida toda eu pratiquei esportes dos mais diversos, sou faixa marrom de karatê, já ganhei muitas medalhas em competições de natação, corri a meia maratona do Rio, participei de várias competições da federação local de triathlon entre muitos outros.

    Hoje a minha modalidade de escolha é o surf e eu confesso que eu entrei nessa acreditando que seria como todos os outros e que em poucos meses eu conseguiria pegar a técnica e fazer coisas incríveis, mas a realidade foi bem diferente.


    _o nível de complexidade se mostrou maior do que o esperado. Em nenhum outro esporte as condições de clima e maré afetavam tanto o resultado.


    Nos outros esportes, bastava eu treinar com frequência e logo eu conseguia acompanhar meus amigos na corrida, ou fazer os katás com maestria e nadar uma maratona aquática.

    Pra surfar bem você precisa, além da capacidade física pra remar e entrar na onda, aprender a ler o mar, ter o timming certo pra subir na prancha, conseguir ficar em pé, depois precisa aprender a colocar a prancha na parede e mais um monte de outras coisas. Nada disso é fácil ou vem rápido. Tão logo eu percebi que nem tão cedo estaria surfando sozinha e dando batidas e cutbacks...


    _a frustração bateu à minha porta. Eu queria ser boa e logo.


    Alguns meses depois que comecei a aprender,  eu passei pela maior crise de depressão que eu já tive na vida. Não me importava com mais nada, nem com a minha evolução no surf, mas passei a perceber que, mesmo que o processo não fosse tão rápido quanto eu gostaria, só de estar no mar eu me sentia melhor... E então eu passei a encarar o surf como uma parte da minha terapia.

    Ao longo de dois anos de crise, foram os momentos na água que me deram forças pra acordar dia após dia. Ver o sol nascendo, entrar no mar, contemplar a natureza trazia paz pra o meu coração. Às vezes no meio de uma crise eu entrava no outside só pra sentar na prancha e ter um momento de colocar os pensamentos em ordem. 

    O surf me salvou.

    Hoje eu sei que não importa muito o meu nível e sim os imensos benefícios que ele traz pra minha saúde física e mental.

    Beijos e boas ondas,
    Thiliê


     
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