Surf, Sustentabilidade e Moda

27/11/2020



  • Umas das coisas que o surfe me ensina todos os dias é olhar para o presente. Ou melhor, estar presente. No mar, na vida. Me mostra o tempo inteiro o quão é importante nossa relação com o todo. E quando nos tornamos surfistas de verdade, quase que automaticamente a gente vira uma chavinha e estreita ainda mais essa nossa relação de amor com a natureza. 

    O surfe me trouxe de encontro com a minha essência, e consequentemente isso se refletiu na minha carreira profissional. Eu trabalhei mais de 10 anos no mercado da moda convencional e graças ao surfe comecei a ir atrás de mais informações, o que me fez amadurecer e migrar com consciência para caminhos que, mesmo dentro da moda, eu pudesse me encontrar como surfista e lutar por um mundo melhor. Já diziam por aí: O surfe salva! rsrs... A informação tem o poder de mudar paradigmas, e foi exatamente isso que aconteceu comigo e acredito que também vá acontecer com você, se é que já não aconteceu. 


    _a indústria da moda é uma das mais poluentes da atualidade:
    • É responsável por grande emissão de gás carbônico
    • Cerca de 1 caminhão cheio de roupas ou resíduos têxteis é descartado ou queimado em aterros sanitários a cada segundo
    • Tem um alto índice de exploração de pessoas por trabalhos análogos a escravidão e trabalho infantil
    • É uma das indústrias que mais utiliza água em seus processos tornando-se responsável por praticamente 20% da poluição de toda água do mundo

    Já parou pra pensar que o simples ato de lavar roupas em casa pode liberar microplásticos contidos em tecidos sintéticos (como poliamida e poliéster) diretamente nos oceanos resultando em até 500 mil toneladas de microplásticos por ano? Pois é, isso afeta diretamente o ecossistema oceânico entrando para a cadeia alimentar, uma vez que são comidos pelos animais marítimos. 


    _um tapa na nossa cara, assim como o surfe, essas informações também nos trazem para o presente. 


    Em 2013 houve um grande desastre envolvendo o desabamento do Rana Plaza em Bangladesh, essa tragédia matou e feriu muitos trabalhadores da indústria, expondo grandes marcas da moda por trás da falta de transparência e exploração que até então era desconhecida pela maior parte dos seus consumidores. A partir daí surgiu o movimento Fashion Revolution, que luta por uma indústria da moda limpa, segura, justa, transparente e responsável.  


    _junto com esse movimento, o Slow Fashion ganhou ainda mais força. Movimento esse que:
    • Preza pela diversidade
    • Prioriza a produção local
    • Promove a consciência socioambiental com produtos que incorporam custos sociais e ecológicos
    • Mantém uma produção menor
    • Incentiva o consumo consciente

    Totalmente diferente do Fast Fashion que traz uma moda globalizada, produzida em grandes escalas, com baixa qualidade sem levar em consideração aspectos sociais de produção, estimulando e incentivando o consumismo desenfreado e dependente. 

    A Langai é um exemplo de que é possível sim transformar as pessoas através do surfe, trazendo autorresponsabilidade, transparência e ética. Junto com seus produtos ela traz em seus valores esse movimento de transformação onde convida seus consumidores para fazerem parte da mudança junto com ela. A marca faz bem a sua parte, você já viu o espacinho "valores" no site? Lá, a Lu nos lembra que não existe planeta B e enfatiza a conexão que nós surfistas temos com o todo, compartilhando algumas práticas adotadas afim de se tornar cada vez mais sustentável.

    O caminho da sustentabilidade é longo, são processos como no surfe, cada etapa é uma vitória. É muito difícil sermos 100% o tempo inteiro, mas só pelo fato de termos consciência já é um grande passo, afinal toda conquista começa com a decisão de remar, não é mesmo?! 

    Assim como o surfe, a moda também pode e deve ser uma ferramenta de impacto positivo e de transformação nos ensinando a sermos pessoas mais conscientes, éticas e justas. Esse despertar é um caminho sem volta, cabe a nós decidirmos o que fazer com todas essas informações.  

    Beijos e boas ondas,
    Érica


     
    Leia também: 10 coisas que você pode fazer agora para ajudar os oceanos

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