Tudo o que você precisa saber para planejar sua surftrip | Langai

Tudo o que você precisa saber para planejar sua surftrip

Publicado: 18/06/2020

Tudo o que você precisa saber para planejar sua surftrip


Nesse post vou te contar pontos que você precisa considerar ao planejar sua surftrip e te dar algumas dicas de “ferramentas” que podem te ajudar em algumas coisinhas.  



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Como uma boa surfista de terras belorizontinas, posso dizer que sou uma expert em surftrips! Comecei minha jornada do surf morando quase 3 meses em um surfcamp e quando voltei para Belo Horizonte resolvi que eu tinha que manter um mínimo de ritmo. Como eu sou autônoma pra mim era uma possibilidade, mas pra isso eu precisava ser muita organizada. 

Decidi que eu precisava ir pra praia todo mês, pelo menos por alguns dias. Isso me fez ter ao longo do ano vários diferentes tipos de surftrips e, claro, com diferentes necessidades. 

Em sua grande maioria minhas surftrips eram totalmente sozinhas, ou seja, era mesmo eu que tinha que organizar tudinho.

Nesse post vou te contar pontos que você precisa considerar ao planejar sua surftrip e te dar algumas dicas de “ferramentas” que podem te ajudar em algumas coisinhas.  


Não sabe por onde começar? Calma que eu te conto!


_de onde eu vim, pra onde irei?


Bom, pode parecer uma pergunta simples, mas tem algumas questões que você tem que considerar antes de escolher qual é o seu destino.


1. a condição do mar:

Isso é ainda mais importante se você tiver um nível iniciante no surf e precisar de um “tipo de mar” específico pra então ser capaz de surfar e aproveitar. Especialmente eu que morava longe da praia a minhas surftrips precisavam ser muito proveitosas, então, depois de levar na cara algumas vezes, aprendi a ficar ligada nisso. 

Vou contar uma historinha...


Tudo o que você precisa saber para planejar sua surftrip


Uma vez fui à Floripa no mês de junho. Eu tinha ido pra lá um mês antes e, como as passagens estavam bem baratas, resolvi voltar. Só que eu não sabia de um pequeno detalhe: era a época da Tainha. Isso significa que as praias mais “tranquilas”, as que consegui surfar da primeira vez, que eram propícias pro meu nível de surf, estavam todas fechadas pro surf, já que era reservada pra pesca.

O mar estava bem grande em várias praias e foi uma luta diária achar alguma praia que eu conseguia -pelo menos- brincar um pouquinho com a prancha. Inclusive, eu passei um super perrengue na Praia Mole.

Quem já foi pra Floripa sabe que não é tão simples atravessar de uma ponta a ponta da Ilha, então minha viagem se resumiu a ficar no carro de lá pra cá procurando o meu lugar ao sol. Ah! Falando em sol, em vários dias estava chovendo torrencialmente, então eu não tinha nem a opção de fazer qualquer outra coisa.

Enfim, caos na terra!

Por isso, pesquise muito pra saber se é mesmo uma hora boa pra ir naquele destino. Uma dica boa é entrar nos grupos da comunidade da Langai e procurar alguém local que pode te dar uma ajudinha.


2. e agora, onde se hospedar?

Cama, comida e roupa molhada. Uma coisa importante em qualquer trip é otimizar o tempo. E muitas das vezes nas minhas surftrips eu fiz quase um bate-volta (coisa de 2 ou 3 dias), ou seja, o tempo era mesmo muito valioso!

Por isso eu sempre procurava ficar o mais perto possível da praia surfável pra mim.

 Claro que muitas vezes por questões até financeiras eu preferia ficar na casa de amigos ou pegar um couchsurfing (calma que já já te explico), ou seja, não tinha muito o que escolher. Mas programe-se bem e se puder considere esse ponto.

Além de tudo, dependendo de pra onde você vá, o gasto de transporte e a perda de tempo pode mesmo não compensar a economia, essa que pode parecer vantajosa ao olhar a diferença de preços, mas te faz ter outros ônus que por fim não valeu a pena. Então, vai aí minhas opções favoritas:


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_surfcamps: uma das coisas que eu mais gosto é ficar em surfcamps. É maravilhoso estar com pessoas que estão ali pela mesma motivação que a sua, e a vibe é incrível, sério! Apesar de não ser uma modalidade tão conhecida em alguns lugares, tem vários surfcamps pelo Brasil e pelo mundo!

Inclusive eles têm alguns pacotes que podem incluir equipamento, roupa, aulas, refeição, etc. Tudo girando ao redor do surf, então é mesmo uma experiência muito proveitosa. Analise esses pacotes, porque o que pode parecer caro pode no fim valer mesmo a pena.


_hostel: também é uma mobilidade que eu amo e uma das que mais uso, pela oferta ser maior. Tem pra tudo quanto é gosto, preços, estilos, distâncias, facilidades. E é bem fácil de conhecer uma galera também! Normalmente você pode achar opções de diferentes tipos de acomodação também, quarto compartilhado (que pode ser misto ou não) ou privado, o mesmo pro banheiro. Normalmente o ambiente é jovem e descontraído, então é super divertido!

Como escolher e reservar seu hostel? Existem várias plataformas que te mostram todos os detalhes (e feedbacks, o que é super importante) e facilitam a reserva: booking.com, hostelworld, hostelbookers, etc.


_airbnb: no caso de viajar com companhia, um airbnb pode ser uma boa. Nessa plataforma tem também vários tipos de acomodações e você pode ter um pouco mais de independência e privacidade.


_couchsurfing: aaaah como eu amo essa opção! Conheci em 2010 por indicação do meu pai, que descobriu não sei onde! O couchsurfing é uma plataforma na qual as pessoas se hospedam na casa de pessoas comuns, sem pagar nada. A idéia é mesmo uma troca, como uma rede na qual é oferecido abrigo, companhia, dicas de alguém local e quem sabe até um lanchinho de quebra? Hehe!

Você faz seu perfil e, na busca, você procura por idade, pessoas que oferecem um “couch” (que pode ser mesmo um sofazinho, um colchãozinho ou uma caminha), faz o “pedido” na plataforma de acordo com suas datas e a pessoa aceita ou não. 

É sensacional e super seguro! Já usei várias vezes em mil lugares diferentes e já hospedei também algumas vezes. É uma experiência muito legal! Minha dica é fazer sempre mais de um “pedido”, principalmente quando você vai pra cidades mais movimentadas, assim você tem mais opções caso um acabar indisponível.


3. com prancha ou sem prancha, eis a questão:

Bom, coloquei esse tópico agora porque a sua decisão com relação a levar ou não sua prancha pode influenciar no restante. Isso porque tem algumas questões a serem pensadas, o que inclui grana, logística e conforto.

Custa grana levar sua prancha? Custa. Mas não levar também, já que você obviamente vai ter que alugar lá quando chegar. 

Então, primeiro faz uma pesquisa pra saber quanto custa mais ou menos o aluguel de equipamento lá (e se é possível, porque às vezes não é!) e multiplica pelos dias que você vai ficar lá. Depois faz as contas pra ver o custo de levar sua prancha e se vale a pena. E isso nos leva ao próximo tópico...


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omo escolher a melhor maneira de chegar no meu destino?


Não pegue o primeiro avião com destino à felicidade. Algumas dicas práticas: a maneira mais barata em transporte coletivo no Brasil normalmente é o bom busão. Claro que quando as distâncias são plausíveis, né? Isso porque no Brasil a gente não paga pra levar bagagem no maleiro. Eu nunca tive problemas em levar minha prancha em ônibus de viagem, mas vale sempre dar uma ligada pra companhia pra não ter surpresas.

Se você resolver ir de avião, vai uma dica valiosa: antes de comprar sua passagem pesquise qual é o preço do transporte da prancha. Eu garanto que muitas vezes vai valer mais a pena você comprar a passagem um pouco mais cara pelo preço da bagagem. 

Não sei se as coisas mudaram desde a minha última surftrip, mas normalmente a melhor companhia dentro do Brasil pra viajar com a prancha é a GOL. Isso porque ela considera a prancha como uma bagagem normal, então o preço não altera. Já na LATAM, por exemplo, é considerado como equipamento esportivo e é o dobro do preço de uma bagagem normal.

Os preços costumam variar entre 60 a 150 reais em viagens nacionais, mais ou menos. Pra viagens internacionais a diferença é bem maior, de 40 a 200 dólares ou mais - pelo fato de que em alguns lugares o aluguel de equipamento é muito caro. Mesmo assim, pode valer a pena dependendo do tempo da sua permanência na viagem.

Ou seja, a escolha da companhia aérea tem que considerar essa variável, não só o preço da passagem. Tem companhia que tem regras diferentes pra tamanhos diferentes de prancha, já outras você pode até colocar mais de uma prancha em uma case... varia bastante!

Sempre confira as condições de cada companhia e, na dúvida, ligue e confirme!

A dica extra é sempre fazer a compra do transporte da sua prancha antecipado. Primeiro porque sai mais barato, segundo porque algumas companhias tem limite da quantidade de equipamento que pode embarcar. Outra coisa é que em todas as opções é obrigatório levar a prancha na case própria para prancha e, qualquer que seja a sua opção de transporte, embale muito bem a sua prancha e leve as suas quilhas separadas na mala, vale até plástico bolha pra não passar raiva. 

Ah! E sempre chegue no aeroporto com bastante antecedência, já que por ser uma bagagem “especial” isso pode tomar um tempo maior.


_cheguei! Estou no paraíso! E agora?


Como me locomover? Pesquise a questão de transporte público, se é possível, se é fácil, se você pode levar sua prancha no ônibus, metrô, trem, e o custo disso tudo.

Se parecer um pouco complicado, considere alugar um carro. De verdade! Os preços podem te surpreender positivamente e não preciso nem falar sobre o conforto! Uma coisa legal é que alguns surfcamps oferecem bicicleta com suporte pra prancha pra você alugar ou usar livremente. As vezes tem até transporte em alguns horários específicos pra algumas praias, o que é bem legal!

No caso de alugar carro, se puder, leve um rack de corda! Fácil de transportar e é uma mão na roda pra levar sua prancha. Se não, leve a prancha dentro do carro mesmo. Tem algumas técnicas infalíveis de colocar sua prancha dentro do carro e posso provar!

A minha é uma 7’4” e juro que já coloquei em cada carro pequeno que você não tem idéia. Na internet tem vários tutoriais legais!

Isso pode ser uma opção também em situações nas quais é proibido o uso de rack de corda (sim, isso existe!). E essa técnica é ótima quando você precisa pegar um táxi ou um uber com sua prancha. Salva vidas! 


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Importante: Procure saber se tem algo na legislação que diz que é proibido levar pranchas dentro do carro ou alguma recomendação específica sobre isso.


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ecomendações específicas pra surftrips internacionais?


Garota, eu vou pra Califórnia. As regrinhas são mais ou menos as mesmas, mas tem 2 coisinhas que vale a pena destacar:


1. c
om que roupa eu vou? 

A primeira é a questão da temperatura da água. Em alguns países existe uma condição que a gente não tem no Brasil, nem mesmo no sul: água do mais estupidamente gelada, mesmo no verão!

Sim, gente, tem lugares que é apenas impossível entrar na água sem wetsuit, e normalmente um wetsuit bem grosso, tá? 


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Em Portugal onde vivi, por exemplo, todo mundo entra, no mínimo, com um 3:2, mas é muito comum entrar com 4:3. Ah! Mangas e calças compridas!

Ixi, mas onde é que eu vou comprar isso?

Se você nunca usa wetsuit ou usa raramente, não acho que vale a pena investir em um 4:3. Isso porque normalmente é uma roupa muito cara (mesmo fora do Brasil) pra você usar só em uma surftrip. E, sinceramente, no Brasil é até difícil achar pra comprar, já que a nossa temperatura da água é beeem diferente.

Então a melhor opção é deixar pra alugar lá mesmo. Se você for pra um lugar que não existe esse tipo de comércio, uma dica é tentar alugar em alguma cidade com mais infraestrutura pela qual você vai passar ou mesmo procurar comprar usado pela internet, no mercado livre, ebay, amazon, etc.

Mas pra vocês terem idéia, morei mais de 1 ano em Portugal e nunca surfei de biquíni. Era apenas impossível. Dá até pra entrar de biquíni só pra mergulhar ali rapidinho e tomar um sustinho, mas ficar na água pra surfar, sem chances.


2. é a dança da cordinha: com ou sem?
 

Em vários lugares, entrar no mar sem cordinha (o famoso slash) é expressamente proibido, pela segurança dos banhistas principalmente.

E além de tudo, em alguns lugares é proibido soltar sua prancha “de propósito”. Ou seja, sempre procure fazer a “tartaruga” quando não for possível furar. Claro que às vezes não dá, né! Mas vale ter bom senso e vai dar tudo certo.

Não são regras gerais, mas quando elas existem, é principalmente porque em muitas praias o outsite é muito perto da área dos banhistas, então é, mais uma vez, por segurança.


_só mais um chorinho! P
ra finalizar, algumas ferramentas extras que podem te auxiliar no seu planejamento:


_Rome2Rio: um app que te dá todas as maneiras de deslocamento entre cidades e países e, além de te dar todas as informações de tempo, preço estimado e tipo de transporte, ele normalmente te direciona até o site da empresa pra que você possa fazer reservas. 

_skyscanner: app pra achar passagens aéreas baratas! Ele compara vôos em todas as companhias existentes pra aquele trecho e pode até te dar sugestões de trajetos alternativos. Você pode inclusive selecionar um país inteiro e ele vai te dar os preços das cidades nas quais os vôos estão mais baratos na época que você escolheu. A data também não precisa ser fixa, ele pode te mostrar preços pro mês todo ou pro ano todo. Use e abuse dos “alertas” pra ser avisado quando tiver modificação de preços.

_surfguru: app ou site com as informações sobre as condições do mar, melhor época etc.


Toda surftrip tem seu fim.

E todo post também. 


São muitos detalhes, mas é muito importante prestar atenção em todas essas questões pra que sua surtrip seja perfeita! E no mais:


Beijos e boas ondas,

Thaïs


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Escrito por: Thaïs Doro | @porummundomenor

Leia também: Guia de Surfrtrip: Uruguai

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